Banco Central anuncia que o Copom manterá a taxa Selic em 2,00% a.a.

Em nota publicada na última quart-feira (16), o Banco Central (BC) anunciou que em sua 233ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manterá a taxa Selic em 2,00% a.a.

De acordo com a publicação, a atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • No cenário externo, a retomada da atividade nas principais economias, ainda que desigual entre setores, em conjunção com a moderação na volatilidade dos ativos financeiros, tem resultado em um ambiente relativamente mais favorável para economias emergentes. Contudo, há bastante incerteza sobre a evolução desse cenário, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e à própria evolução da pandemia da Covid-19;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes sugerem uma recuperação parcial, similar à que ocorre em outras economias.  Os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos, apesar da recomposição da renda gerada pelos programas de governo. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais;
  • O Comitê avalia que a inflação deve se elevar no curto prazo. Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade;
  • As diversas medidas de inflação subjacente permanecem abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária;
  • As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 1,9%, 3,0% e 3,5%, respectivamente;
  • No cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$5,30/US$*, as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 2,1% para 2020, 2,9% para 2021 e 3,3% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 2,00% a.a. e se eleva até 2,50% a.a. em 2021 e 4,50% a.a. em 2022; e
  • No cenário com taxa de juros constante a 2,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$5,30/US$*, as projeções de inflação situam-se em torno de 2,1% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,8% para 2022.

O Comitê ainda ressaltou que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Desde 1999, esta é a taxa de referência mais baixa, quando o nível de preços no Brasil passou a ser controlado pelo regime de metas de inflação.

Segundo a nota, “o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado, notadamente quando essa ociosidade está concentrada no setor de serviços. Esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional.”

Para a tomada de decisão, o Comitê considerou o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, portanto, a decisão reflete o cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022.

Além disso, esclareceu que “eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva.”

Juros mais altos ao consumidor

A Selic é uma taxa básica da economia. Ela serve de referência para outras taxas de juros, como empréstimos, financiamentos, entre outros, além de remunerar investimentos corrigidos por ela. Ela também não representa a os juros cobrados dos consumidores,  que são bem mais altos.

Quando a taxa selic diminui, o crédito fica mais acessível, já que os bancos tendem a baixar as taxas de juros, entretanto, a inflação sobe e o preço de tudo aumenta.

Quando a taxa Selic aumenta, os preços tendem a baixar ou estabilizar, pois a inflação fica controlada, entretanto, os juros de crédito, parcelamento e cheque especial ficam mais altos e os rendimentos de investimentos em Renda Fixa ou títulos públicos indexados à Selic aumentam.

Poupança rendendo menos

Com essa taxa, a poupança, que já estava rendendo muito pouco, vai render menos ainda, pois quando a Selic é igual ou menor que 8,5%, a poupança passa a render 70% da Selic mais TR. 

Inflação alta

O Banco Central usa os juros como uma ferramenta de controle de inflação ou estímulo econômico.

Geralmente, quando a inflação está alta, o Banco Central sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Mas quando a inflação está baixa, o Banco Central derruba os juros para estimular o consumo.